Doenças que podem prejudicar
a visão
1.1 - O que é ?
1.2 - Quais são os tipos de Glaucoma?
1.3 - Diagnosticando o Glaucoma
1.4 - Tratamento do Glaucoma
1.5 - Conclusão
O glaucoma é causado por diferentes enfermidades que , na maioria dos
casos , levam a um aumento da PIO. O aumento da pressão é causado
por um bloqueio ao fluido no interior do olho. Com o tempo isto causa dano
ao nervo óptico. Através da detecção precoce,
diagnóstico e tratamento , você e seu oftalmologista podem ajudar
a preservar sua visão.
Pense em seu olho como em uma pia ,
na qual a torneira e o ralo permanecem permanentemente abertos. O humor aquoso
está constantemente circulando através da câmara anterior.
É produzido por uma pequena "glândula" , chamada corpo
ciliar , situada atrás da íris. O aquoso flui entre a lente
e a íris e , e após nutrir a córnea e a lente , flui
para fora através de um tecido esponjoso e fino chamado malha trabecular
, que serve como o ralo ( escoamento ) do olho. A malha trabecular está
situada no ângulo onde a íris encontra a córnea.
Quando o ralo da pia entope , o aquoso não consegue deixar o olho tão
rapidamente quanto é produzido , causando um fluxo retrógrado.
No entanto , como o olho é um compartimento fechado , a pia não
transborda ; ao contrário , o fluxo retrógrado causa aumento
da pressão intraocular. Chamamos isto de glaucoma de ângulo aberto.
Para entender como o aumento da pressão afeta o olho pense em seu olho
como se fosse um balão. Quando muito ar é soprado para dentro
de um balão , a pressão aumenta , causando seu estouro. Mas
o olho é resistente demais para estourar. Esta pressão aumentada
passa a atuar sobre a parte mais fraca do olho , o ponto na esclera onde o
nervo óptico deixa o olho.
Como mencionado anteriormente , o nervo óptico é a parte do olho que carrega a informação visual até o cérebro. É formado por mais de um milhão de células nervosas. Quando se eleva a pressão no olho , as células nervosas tornam-se comprimidas , o que as danifica , e eventualmente até causa sua morte. A morte destas células resulta em perda visual permanente. O diagnóstico e o tratamento precoces do glaucoma podem prevenir esta situação.
Existe uma variedade de tipos de glaucoma.
As formas mais comuns são:
Glaucoma primário de ângulo
aberto
Glaucoma de pressão normal
Glaucoma de ângulo fechado
Glaucoma agudo
Glaucoma pigmentar
Síndrome de esfoliação
Glaucoma pós-trauma
Vamos aprender algo sobre as diversas forma.
Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA)
Aproximadamente um por cento dos americanos apresentam esta forma de glaucoma , tornando-a a forma mais comum no país. Ocorre predominantemente em indivíduos acima de 50 anos.
O GPAA não é acompanhado por sintomatologia. A pressão intraocular sobe lentamente , e a córnea se adapta sem edemaciar. Se a córnea se torna edemaciada , o que usualmente é um sinal de que alguma coisa está errada , sintomas podem estar presentes. Mas como esta não é a regra , esta doença geralmente não é detectada. Não há dor , e o paciente muitas vezes não percebe que está perdendo lentamente a visão até os últimos estágios da doença. Entretanto , quando a visão encontra-se prejudicada , o dano é irreversível.
No GPAA não há anormalidade visível na malha trabecular. Acredita-se que há algo errado na habilidade das células da malha trabecular em cumprir normalmente sua função, ou que haja menos células presentes como resultado natural do processo de envelhecimento. Outros acreditam que o responsável é um dano no sistema de drenagem do olho. Essas teorias, assim como outras tantas, são correntemente estudadas e testadas em vários centros de pesquisa do país.
O glaucoma, na verdade, diz respeito aos problemas resultantes da pressão intraocular aumentada. A pressão intraocular media numa população normal é aproximadamente 14 - 16 milímetros de mercúrio ( mmHg ). Numa população normal, pressões intraoculares acima de 20mmHg ainda podem ser consideradas dentro da normalidade. Já uma pressão intraocular acima de 22mmHg é considerada suspeita e possivelmente anormal. No entanto, nem todos os pacientes que apresentam PIO elevada desenvolvem glaucoma. O porquê de algumas pessoas desenvolverem dano glaucomatoso e outras não; é tópico de muitas pesquisas na atualidade.
Como mencionado anteriormente, a pressão elevada pode destruir as células do nervo óptico. Uma vez que um determinado número de células nervosas é destruído, " pontos cegos " começam a se formar no campo visual. Esses pontos cegos usualmente se desenvolvem primeiro no campo visual periférico, e, em estágios mais tardios, na visão central. Uma vez que ocorra perda visual, esta é irreversível, pois as células do nervo óptico estão mortas, e nada pode substitui-las até o presente momento. Mais tarde trataremos das várias formas que tem seu oftalmologista de detectar o glaucoma nos estágios iniciais - antes que tenha ocorrido dano visual.
O glaucoma primário de ângulo aberto é uma doença crônica. Acredita-se que seja hereditária, embora isto ainda não esteja bem definido. No presente momento não se conhece a cura para esta doença, mas ela pode progredir mais lentamente e de forma mais arrastada se tratada. Visto que não apresenta sintomas, muitos pacientes têm dificuldade em entender porque é necessário um tratamento com medicamentos caros, e, ainda, por toda a vida.
Seguir corretamente a orientação médica e usar regularmente a medicação é crucial na prevenção da perda visual. Por isso é necessário discutir os efeitos colaterais da medicação com seu oftalmologista. Vocês dois precisam atuar como um time nesta batalha contra o glaucoma. A seguir discutiremos as medicações comumente prescritas e seus efeitos colaterais.
Glaucoma de Ângulo Fechado
O glaucoma de ângulo fechado afeta aproximadamente meio milhão de pessoas nos Estados Unidos. Há uma tendência de que esta seja uma doença herdada, mas muitas vezes vários membros de uma mesma família vão ser acometidos. É uma doença mais comum em indivíduos descendentes de asiáticos e também em pessoas hipermétropes.
As pessoas que apresentam tendência a desenvolver o glaucoma de ângulo fechado, a câmara anterior apresenta-se mais rasa do que o usual. Como mencionado anteriormente, a malha trabecular esta situada no ângulo formado pelo encontro da córnea com a íris. Na maioria das pessoas, este ângulo apresenta aproximadamente 45 graus. Quanto mais estreito o ângulo, mais próxima estará a íris da malha trabecular. Com o envelhecimento, a lente do olho ( cristalino ) torna-se maior. A habilidade do humor aquoso de passar entre a íris e o cristalino em seu caminho para a câmara anterior diminui, causando aumento da pressão de fluido atrás da íris, estreitando ainda mais o ângulo. Se a pressão se torna suficientemente alta, a íris é empurrada contra a malha trabecular, bloqueando a drenagem do aquoso, assim como se um ralo tivesse sido posto em uma pia e a torneira permanecesse aberta. Quando este espaço encontra-se totalmente bloqueado, o resultado é um ataque de glaucoma de ângulo fechado ( glaucoma agudo ).
Glaucoma Agudo
Diferentemente do glaucoma primário de ângulo aberto, onde a PIO se eleva de forma lenta, no glaucoma agudo, ela sofre elevação abrupta. Esse rápido aumento pressórico pode ocorrer num prazo de algumas horas e tornar-se extremamente doloroso. Dependendo do aumento pressórico, a dor pode ser tão intensa que pode causar náuseas e vômitos. Os olhos tornam-se vermelhos, a córnea fica edemaciada e opaca, e o paciente pode referir halos luminosos e visão borrada.
Um ataque agudo de glaucoma é uma condição de emergência. Se há demora em iniciar o tratamento, a visão pode estar permanentemente destruída. Cicatrização da malha trabecular pode ocorrer como resultado de glaucoma crônico, que é muito mais difícil de ser controlado. Pode haver também o desenvolvimento de catarata. Dano do nervo óptico pode ocorrer rapidamente e causar perda permanente da visão.
Muitos destes ataques repetidos ocorrem em ambientes escuros como teatros e cinemas. Se você está lembrado, ambientes escuros causam dilatação da pupila, ou seja, aumento no seu tamanho. Quando isso acontece, há máximo contato entre a lente e a íris, o que deixa o ângulo estreito e pode desencadear uma ataque. Sabe-se também que a pupila também dilata em momentos de estresse e ansiedade. Conseqüentemente, muitos ataques de glaucoma agudo ocorrem durante períodos de estresse. Uma variedade de drogas também pode levar a um ataque de glaucoma por causar dilatação da pupila. Estas incluem: antidepressivos medicações para gripe, anti-histamínicos, e algumas medicações para o tratamento de náuseas.
Ataques de glaucoma agudo nem sempre são drásticos. Algumas vezes o paciente pode sofrer uma série de ataques menores. Visão borrada com halos pode ser referida, mas sem vermelhidão ou dor ocular. Estes ataques podem acabar quando o paciente é exposto a um ambiente bem iluminado ou quando vai dormir - duas situações que naturalmente causam a constrição da pupila, permitindo assim que a íris se afaste da lente e permita o escoamento do aquoso.
Um ataque agudo de glaucoma pode ser
tratado com uma combinação de colírios que diminuem o
tamanho da pupila e a produção do líquido intra-ocular.
Assim que a pressão tenha baixado para níveis mais seguros o
oftalmologista poderá realizar uma iridectomia com LASER. Este procedimento
é totalmente ambulatorial e consiste na utilização de
um feixe de LASER para construir uma pequena abertura na íris para
que o fluxo do liquido intra-ocular seja restaurado. É utilizado um
colírio anestésico que evita qualquer dor.
O procedimento é realizado em alguns minutos e pode ser realizado preventivamente
mesmo no olho que não foi envolvido já que é comum o
acometimento de ambos os olhos em épocas diferentes.
Exames de rotina utilizando uma técnica conhecida como gonioscopia podem prever com alguma antecedência um ataque agudo de glaucoma de ângulo fechado. Uma lente especial contendo alguns espelhos é colocada a frente do olho do paciente, permitindo a visualização do ângulo. Pacientes com ângulos estreitos podem ser advertidos quanto aos sinais e sintomas de uma crise e desta forma procurar tratamento imediatamente. Em alguns casos a iridectomia com LASER é aconselhável como prevenção em casos de alto risco.
Nem todos os pacientes com glaucoma de ângulo fechado experimentam um ataque agudo. Ao contrário, muitos desenvolvem o que chamamos de glaucoma crônico de ângulo fechado. Nestes casos, a íris vai fechando gradualmente drenagem do líquido intra-ocular sem sintomas associados. Quando isso ocorre, aderências entre a íris e o sistema de drenagem do olho se formam lentamente e a pressão sobe somente quando existe aderências suficientes para comprometer o fluxo. Quando o paciente é tratado com medicação, como pilocarpina, um ataque agudo pode ser prevenido mas a forma crônica da doença ainda continuará o afetando.
Quem está sob risco?
Toda a pessoa deveria ser informada sobre o glaucoma e seus efeitos. É importante para cada um de nós, crianças e adultos, um avaliação periódica da função visual pois apenas a detecção precoce e o tratamento correto podem prevenir a perda da visão e mesmo a cegueira. Existem algumas condições especiais que pode colocar determinadas pessoas em maior risco de desenvolvimento do glaucoma, são elas:
Pessoas acima de 45 anos
Apesar de desenvolver-se em qualquer faixa etária, as pessoas acima
de 45 anos tem uma chance maior de desenvolvimento.
Pessoas com história familiar de glaucoma
O glaucoma parece ter predileção por acometer determinadas famílias.
A tendência pode ser herdada. De qualquer forma não basta ter
uma pessoa na família com a doença para também desenvolve-la.
Pessoas com pressão intra-ocular anormalmente elevada.
Como já vimos a pressão ocular elevada é principal fator
de risco para o glaucoma.
Pessoas com descendência africana ou asiática
Estas etnias têm uma predisposição especial a desenvolver
glaucoma primário de ângulo aberto do que as outras.
Pessoas que possuem:
Diabetes
Miopia
Uso prolongado de esteroides (corticóides)
Alguma lesão ocular prévia
1.3 - Diagnosticando
o Glaucoma
O seu médico oftalmologista
tem as ferramentas diagnósticas necessárias para determinar
se você tem ou não glaucoma ou risco para tal, mesmo antes de
aparecerem os sintomas.
Vamos falar um pouco destas ferramentas.
O tonômetro
O tonômetro é o aparelho que mede a pressão intra-ocular. Se o médico usa um tonômetro de aplanação seu olho será anestesiado com colírio antes da medição. Você sentara junto ao aparelho conhecido como lâmpada de fenda e um pequeno prisma plástico tocará levemente seu olho a fim de realizar a medição. Um tonômetro de ar dispara um jato pequeno de ar na direção do olho e mede assim a pressão não necessitando anestesia pois não há contato direto com seu olho.
A campimetria
Este teste permite ao seu médico
avaliar como e se o glaucoma afetou seu campo de visão. O teste de
campo visual é uma importante ferramenta que permite avaliar a extensão
do dano sobre as fibras nervosas do nervo óptico. Existem diversos
aparelhos que permitem este exame.
Na campimetria computadorizada você será solicitado a permanecer
com o rosto apoiado em um apoio e a olhar fixamente para uma luz piloto. Cada
vez que outras luzes aparecerem na sua frente você deverá acionar
um botão, informando o computador que você a viu. Dessa forma,
ao final do teste, seu médico receberá um gráfico ilustrativo
do seu campo visual. O perímetro de Goldmman também realiza
esta tarefa, porem sem a utilização de um computador.
A Oftalmoscopia
O exame de fundo do olho como é conhecida popularmente a oftalmoscopia, permite que o seu medico visualize diretamente através da pupila o aspecto do nervo óptico. A sua coloração e aparência podem indicar se há ou não dano relacionado ao glaucoma e qual a extensão deste.
O glaucoma pode ser tratado utilizando-se colírios, medicamentos orais, cirurgia a laser, cirurgias convencionais e, uma combinação desses métodos. O propósito do tratamento é impedir perda visual ainda maior. Manter a pressão intraocular em níveis baixos, sob controle, é a chave para a prevenção da perda visual nos casos de glaucoma. Seu medico tem a disposição diversas opções, estas incluem:
Colírios
Todos os colírios podem inicialmente
causar sensação de ardência ou queimação.
Isso freqüentemente ocorre devido ao agente antibacteriano presente nas
soluções de colírio e não ao medicamento antiglaucomatoso
em si. A pesar de desconfortável, este não dura mais do que
alguns segundos.
E importante utilizar sua medicação exatamente como seu medico
a prescreveu. Por exemplo: colírios com prescrição de
quatro vezes ao dia tem usualmente uma duração de ação
de seis horas. Utilizando a medicação quatro vezes ao dia em
intervalos regulares enquanto você esta acordado garantira uma cobertura
efetiva do medicamento durante as vinte e quatro horas do dia.
Em razão da absorção dos colírios pela corrente
sanguínea, é importante relatar ao seu medico quaisquer outros
medicamentos em utilização no momento. Alguns medicamentos podem
tornar-se perigosos quando associados a outros. Pergunte ao seu medico e ou
farmacêutico se os diversos medicamentos que você utiliza são
seguros quando associados. A fim de minimizar a absorção pela
corrente sanguínea e aumentar a quantidade absorvida pelo olho feche
seus olhos por um ou dois minutos após a administração
dos colírios, pressionando levemente o canto do olho perto do nariz
para fechar os ductos de drenagem da lagrima.
· Mesmo que todos os medicamentos possuam potenciais efeitos adversos, é importante observar que a grande maioria dos pacientes não apresenta nenhum efeito adverso.
Uso Oral
Ocasionalmente os colírios não são suficientes para controlar a PIO. Quando isto acontece, medicação via oral deve ser prescrita em adição aos colírios. Essa medicação, que apresenta mais efeitos adversos do que os colírios, também age diminuindo a "torneira" do olho, diminuindo a produção do liquido intra-ocular.
Esta medicação via oral usualmente é prescrita de duas até quatro vezes ao dia. É importante levar esta informação também aos seus outros médicos. Fazendo isso você estará contribuindo para que eles não lhe prescrevam drogas que possam causar interações medicamentosas perigosas.
Cirurgias
Cirurgia a Laser
A cirurgia a LASER tornou-se um método popular como passo intermediário entre as drogas e a cirurgia tradicional. O tipo mais comumente empregado para o glaucoma de ângulo aberto é chamado trabeculoplastia. Este procedimento dura entre 10 a 20 minutos, não causa dor, e pode ser efetuado no consultório médico. O feixe de LASER é focalizado acima do ponto de drenagem do olho. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o LASER não "fura" o olho. Ao invés disso, seu calor intenso e localizado, faz com que algumas áreas do mecanismo de drenagem abram-se, resultando em uma passagem mais fácil do fluido intra-ocular para fora do olho.
Você pode ir para casa e retomar suas atividade normais logo após a cirurgia. Seu médico deve verificar a pressão de seu olho em uma ou duas horas após o procedimento. Após este procedimento, quase 80% de todos os pacientes respondem suficientemente bem, adiando um procedimento cirúrgico mais complexo. Pode levar algumas semanas para observar-se a real diminuição da pressão ocular, motivo pelo qual você deve continuar com a medicação até que seu médico julgue necessário. Catarata não é um efeito adverso do LASER e as complicações são insignificantes, daí por que este método tornou-se extremamente popular.
Cirurgia Tradicional
A mais comum das cirurgias é chamada trabeculectomia. Nesse procedimento o cirurgião remove uma pequena parte da malha trabecular - ponto de drenagem. Isto facilita a saída do humor aquoso, reduzindo a pressão. Este procedimento geralmente é feito sob anestesia local, tanto a nível ambulatorial como hospitalar. É importante notar que seus olhos não terão a mesma visão durante algumas semanas após o procedimento.
Apesar de a trabeculectomia ser um procedimento cirúrgico relativamente seguro, aproximadamente um terço dos pacientes desenvolvem catarata num prazo de cinco anos. Após a cirurgia muitos pacientes podem descontinuar o uso de medicamentos antiglaucomatosos. Talvez 10% a 15% dos pacientes necessitem alguma cirurgia adicional.
O exame oftalmológico de rotina é vital para a saúde de seus olhos. No caso de seu médico oftalmologista detectar glaucoma, o tratamento precoce pode ajudar a prevenir a perda visual.
Fonte: http://www.saudevidaonline.com.br/
Dr. Leôncio de Souza Queiroz Neto
http://www.drqueirozneto.com.br
Ceratocone
Ceratocone é uma ectasia corneana não inflamatória e
auto-limitada, caracterizada por um afinamento progressivo da porção
central da córnea. À medida que a córnea vai se tornando
afinada o paciente percebe uma baixa da acuidade visual, a qual pode ser moderada
ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado.
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Olho
Normal |
Ceratocone |
Muitas pessoas não percebem que
tem ceratocone porque este inicia-se insidiosamente como uma miopização
e astigmatismo no olho. Esta patologia ocular pode evoluir rapidamente ou
em outros casos levar anos para se desenvolver. Esta doença pode afetar
severamente nossa forma de perceber o mundo, incluindo tarefas simples como
dirigir, assistir TV ou ler um livro.
O ceratocone inicia-se geralmente na adolescência, em média por volta dos 16 anos de idade, embora tenha sido relatado casos de início aos 6 anos de idade. Raramente o ceratocone desenvolve-se após os 30 anos de idade. O ceratocone afeta homens e mulheres em igual proporção e em 90 % dos casos afeta ambos os olhos. Em geral a doença desenvolve-se assimetricamente: o diagnóstico da doença no segundo olho ocorre cerca de 5 anos após o diagnóstico no primeiro olho. A doença progride ativamente por 5 a 10 anos, e então pode estabilizar-se por muitos anos. Durante o estágio ativo as mudanças podem ser rápidas.
Em um estágio precoce da doença a perda de visão pode ser corrigida pelo uso de óculos; mais tarde o astigmatismo irregular requer correção óptica com o uso de lentes de contato rígidas. Lentes de contato rígidas promovem uma superfície de refração uniforme e além disso melhoram a visão.
O exame oftalmológico deve ser realizado anualmente ou mesmo mais freqüentemente para monitorar a progressão da doença.
Embora muitos pacientes possam continuar lendo e dirigindo, alguns sentirão que a qualidade de vida é adversamente afetada. Cerca de 20% dos pacientes eventualmente irão necessitar de transplante corneano.
2.2 - Qual é a etiologia do Ceratocone ?
A etiologia proposta para o ceratocone inclui mudanças físicas, bioquímicas e moleculares no tecido corneano, entretanto nenhuma teoria explica completamente os achados clínicos e as associaçõesoculares e não-oculares relacionadas ao ceratocone.
É possível que o ceratocone seja o resultado final de diferentes condições clínicas. Já é bem conhecida a associação com doenças hereditárias, doenças atópicas ( alérgicas ), certas doenças sistêmicas, e o uso prolongado de lentes de contato.
São encontradas diversas anormalidades bioquímicas e moleculares no ceratocone:
• há um processo anormal dos radicais livres e superóxidos no ceratocone;
• há um crescimento desorganizado dos aldeídos ou peroxinitritos nestas córneas;
• as células que são irreversivelmente danificadas sofrem um processo de apoptose;
• as células que são danificadas reversivelmente sofrem um processo de cicatrização ou reparo. Neste processo de reparação, várias enzimas degradativas e fatores reguladores da cicatrização levam a áreas focais de afinamento corneano e fibrose.
• incidência na população geral: varia de 0,05 % a 0,5 % *
• distribuição conforme a faixa etária: *
- 08 a 16 anos: 2,1 %
- 17 a 27 anos: 25,9 %
- 27 a 36 anos: 35,6 %
- 37 a 46 anos: 20,1 %
- 47 a 56 anos: 11,7 %
- 57 a 66 anos: 3,0 %
- 67 a 76 anos: 1,5 %• distribuição conforme o sexo: *
- feminino: 38 %
- masculino: 62 %• classificação quanto ao tipo do cone:
- oval: 60 %
- pequeno monte: 40 %
- globoso: menos de 1 %
* fontes:
Nova Contact Lenses
www.boasaude.uol.com.br
www.drqueirozneto.com.br
2.4 - Como se faz o diagnóstico de Ceratocone ?
A identificação de um ceratocone moderado ou avançado é razoavelmente fácil. Entretanto, o diagnóstico de ceratocone em suas fases iniciais torna-se mais difícil, requerendo uma cuidadosa história clínica, medidas da acuidade visual e refração, e ainda exames complementares realizados por instrumentação especializada. Geralmente, pacientes com ceratocone têm modificações frequentes nas prescrições dos seus óculos em curto período de tempo e, além disso, os óculos já não fornecem uma correção visual satisfatória. As refrações são frequentemente variáveis e inconsistentes. Pacientes com ceratocone freqüentemente relatam diplopia ( visão dupla ) ou poliopia ( visão de vários objetos ) naquele olho afetado, e queixam-se de visão borrada e distorcida tanto para visão de longe quanto para perto. Alguns referem halos em torno das luzes e fotofobia ( sensibilidade anormal à luz ).
Muitos sinais objetivos estão presentes no ceratocone. A retinoscopia mostra reflexo “em tesoura”. Com o uso do oftalmoscópio direto percebe-se um sombreamento. O ceratômetro também auxilia no diagnóstico. Os achados ceratométricos iniciais são ausência de paralelismo e inclinação das miras. Estes achados podem ser facilmente confundidos nos casos de ceratocone incipiente.
A redução da acuidade visual em um olho, devido à doença assimétrica no outro olho, pode ser um indício precoce de ceratocone. Este sinal é freqüentemente associado com astigmatismo oblíquo.
A topografia corneana computadorizada ou fotoceratoscopia pode fornecer um exame mais acurado da córnea e mostrar irregularidades de qualquer área da córnea. O ceratocone pode resultar em um mapa corneano extremamente complexo e irregular, tipicamente mostrando áreas de irregularidades inferiormente em forma de cone, o qual pode assumir diferentes formas e tamanhos. (Veja figura 4)
O diagnóstico de ceratocone também pode ser feito através do biomicroscópio ou lâmpada de fenda. Através deste instrumento o médico poderá observar muitos dos sinais clássicos do ceratocone:
• Anéis de Fleischer: anel de coloração amarelo-amarronzada a verde-oliva, composto de hemossiderina depositada profundamente no epitélio circundando a base do cone.
• Linhas de Vogt: são pequenas estrias semelhantes a cerdas de pincel, geralmente verticais embora possam ser oblíquas, localizadas na profundidade do estroma corneano.
• Afinamento corneano: um dos critérios propostos para o diagnóstico de ceratocone é o afinamento corneano significante maior que 1/5 da espessura da córnea. À medida que a doença progride o cone é deslocado inferiormente. O ápice do cone é geralmente a área mais afinada.
• Cicatrizes corneanas: geralmente não são vistas precocemente, porém com a progressão da doença ocorre ruptura da membrana de Bowman, a qual separa o epitélio do estroma corneano. Opacidades profundas da córnea não são incomuns no ceratocone.
• Manchas em redemoinho: podem ocorrer naqueles pacientes que nunca tenham usado lentes de contato.
• Hidropsia (Veja figura 5): ocorre geralmente nos casos avançados, quando há ruptura da membrana de Descemet e o humor aquoso flui para dentro da córnea tornando-a edemaciada. Quando isso ocorre o paciente relata perda visual aguda e nota-se um ponto esbranquiçado na córnea. Hidropsia causa edema e opacificação. Caso a membrana de Descemet se regenere o edema e a opacificação diminuem. Pacientes com síndrome de Down têm maior incidência de hidropsia. O ato de coçar e friccionar os olhos deve ser evitado nestes pacientes.
• Sinal de Munson: este sinal ocorre no ceratocone avançado quando a córnea protui o suficiente para angular a pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo.
• Reflexo luminoso de Ruzutti: um reflexo luminoso projetado do lado temporal será deslocado além do sulco limbar nasal quando um alto astigmatismo e córnea cônica estão presentes.
• Pressão Intra-ocular reduzida: uma baixa pressão intra-ocular geralmente é encontrada como resultado do afinamento corneano e/ou redução da rigidez escleral.
2.5 - Como se classifica o Ceratocone ?
O ceratocone pode ser classificado conforme sua curvatura ou de acordo com a forma do cone:
• Baseado na severidade da curvatura:
- Discreto: < 45 dioptrias em ambos os meridianos.
- Moderado: entre 45 a 52 dioptrias em ambos os meridianos.
- Avançado: > 52 dioptrias em ambos os meridianos.
- Severo: > 62 dioptrias em ambos os meridianos.• Baseado na forma do cone:
- Pequeno monte: forma arredondada, com diâmetro pequeno em torno de 5 mm.
- Oval: geralmente deslocado inferiormente, com diâmetro > 5 mm. É o tipo mais comumente encontrado no exame de topografia corneana.
- Globoso: quando 75 % da córnea está afetada, possui diâmetro maior que 6 mm. É também chamado ceratoglobo, e é o tipo mais difícil para se adaptar lentes de contato.
2.6 - Quais são as opções de tratamento disponíveis para o ceratocone ?
O tratamento do ceratocone depende da severidade da condição.
1. Correção óptica:
Inicialmente, os óculos corrigem satisfatoriamente a miopia e astigmatismo. Entretanto, à medida que a doença progride a visão não é mais adequadamente corrigida e requer o uso de lentes de contato rígidas para promover o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória. Tardiamente, quando as lentes de contato não fornecem boa visão ou há intolerância ao uso das lentes de contato, está indicado o transplante de córnea.
2. Tratamentos cirúrgicos:
Vários tipos de tratamentos cirúrgicos têm sido propostos para casos de ceratocone:
• Ceratoplastia penetrante: o transplante de córnea é o tratamento mais comumente realizado. Neste procedimento a córnea com ceratocone é removida e então a córnea do doador é recolocada e suturada no receptor. Lentes de contato são geralmente necessárias para fornecer uma melhor acuidade visual.
• Ceratoplastia lamelar: a córnea é removida na profundidade do estroma posterior, e um botão de córnea doada é suturado no local. Tal técnica é mais difícil de ser executada e a acuidade visual é inferior àquela obtida com a ceratoplastia penetrante. As desvantagens da técnica incluem vascularização e embaçamento do enxerto.• Excimer laser: recentemente este laser tem sido usado em situações específicas com algum sucesso na remoção de placas de córnea central. Contudo o LASIK é ainda um procedimento experimental e não está claro se é apropriado para o tratamento do ceratocone.
• Intacs *: este novo procedimento, recentemente aprovado pelo FDA ( Food and Drugs Administration ), envolve um implante de um disco plástico entre as camadas da córnea com a finalidade de aplaná-la e trazê-la à sua forma natural. Todavia os Intacs têm sido utilizados somente nos casos de discreta baixa acuidade visual para perto. Diferentemente dos transplantes, os Intacs corrigem imediatamente a baixa visual do paciente com ceratocone. Outros benefícios incluem o rápido retorno às atividades cotidianas em poucos dias e uma visão mais natural em relação àquela fornecida pelo transplante de córnea. Os Intacs são desenhados para permanecerem no olho, embora possam ser retirados, caso seja necessário. O candidato ideal ao procedimento com Intac é aquele incapaz de usar óculos ou lentes de contato, e com poucas alterações corneanas.Kera Vision Intacs â.
No Brasil temos o Anel de Ferrara que age com os mesmos conceitos do Intacts.